HISTÓRIAS REAIS

Acreditar

“C. queria ser boa aluna a tudo, mas, aos 14 anos, as dores de cabeça insuportáveis superaram o drama de escolher uma área de estudos e profissão. Pelos livros, sabia o que era o cancro e só deseja voltar aos seus problemas antigos. Os pais arregaçaram as mangas e, com a Acreditar, tudo fizeram para que o medo e dureza dos tratamentos não a fizessem perder a enorme sede de futuro. Com acompanhamento psicológico, definiu estratégias para lidar com a nova realidade. O corpo, ainda não refeito da puberdade, mudava a cada dia de forma assustadora. Com apontamentos de colegas e o apoio de professores voluntários estava menos aflita por ter de faltar às aulas, e, com o grupo de jovens, participou em todos os workshops: fertilidade, nutrição, defesa dos direitos, etc. Foram tempos difíceis também para a família de C. Hoje, continua em vigilância. As sequelas são muitas mas para quem sabe tudo por que o sistema nervoso central passou, fica fascinada com a complexidade do corpo humano, a sua tendência para a regeneração e, claro, a medicina. Passaram mais anos do que “o suposto”, mas agora sem a mínima crise vocacional, está dedicada ao curso de enfermagem. Com muito menos ansiedade, C. continua a procurar respostas para os porquês da vida.”

APAV

“Aos 11 anos, Ana (nome fictício) assistiu ao homicídio da mãe e foi viver com a irmã, também ela vítima de violência doméstica. Ana teve coragem de ligar para o Gabinete de Apoio à Vítima, conseguindo que a irmã pedisse ajuda. Surgiram vagas numa Casa de Abrigo para Ana, a irmã e as suas duas filhas. Não perderam a oportunidade: “Era muito provável que a minha irmã viesse a terminar da mesma forma que a minha mãe”. O próprio agressor tinha feito essa ameaça. Mas, na Casa de Abrigo, tudo foi diferente. “Estamos a falar de um sítio onde as pessoas são vistas na sua individualidade e reconhecidas por aquilo que são. Ainda hoje penso nas técnicas que nos acolheram quase como parte da família.” Mesmo assim, Ana continuou a sentir culpa ao pensar no que podia ter feito para ajudar a mãe. Só há alguns anos começou a libertar-se deste peso. Hoje, tem um namorado que a trata bem, mas vive preocupada com alguma parte obscura que não esteja a identificar. “Tens de fazer um esforço muito grande no dia a dia para conseguires atenuar isso e encontrar alguma paz.” Ana fez um mestrado e uma pós-graduação e hoje é independente e tem esperança no futuro. Quanto à irmã, não parece a mesma: Ana assegura que evoluiu bastante a nível físico e psicológico."

Salvador

“Francisca, Rafael e Guilherme Nobre, trigémeos com 12 anos, têm diversas questões de saúde: Francisca tem paralisia cerebral e Guilherme e Rafael têm síndrome de Leigh, uma doença rara degenerativa e sem cura. Apesar desta difícil conjuntura, a família não baixou os braços: a mãe, Sandra, assumiu o papel de cuidadora dos filhos, tornando-se o pai, António, a única fonte de rendimento da família, num percurso marcado por mudanças e aprendizagens constantes. Como não podiam adquirir os equipamentos que fariam a diferença na vida dos filhos, procuraram ajuda, e conseguiram-na. Hoje, Francisca beneficia de um fato de estimulação elétrica para reduzir os espasmos e ativar os músculos, melhorando a sua motricidade, e uma cama articulada, e Guilherme de uma cadeira de posicionamento que permite atenuar as deformidades existentes e permanecer mais tempo sentado, e uma cadeira de transporte automóvel. António e Sandra afirmam que estes apoios foram essenciais para melhorar a qualidade de vida dos filhos, contribuindo para a sua saúde, segurança e felicidade.”

Dress for success

Testemunho – Marisa
Conhecemos a Marisa há seis anos e acompanhámos de perto o seu percurso, as suas
conquistas e também os desafios. Mãe solteira, resiliente e determinada, a Marisa é um
exemplo do impacto que o apoio certo pode ter na vida de uma mulher — especialmente
numa sociedade que ainda apresenta desigualdades no acesso a oportunidades, no
reconhecimento do talento e na progressão profissional das mulheres.
Ao longo do seu caminho, a Dress for Success® Lisboa esteve presente em diferentes
fases — desde os primeiros passos no mercado de trabalho, à preparação para as
entrevistas, até ao acompanhamento em momentos decisivos. Há alguns meses, pediu-nos
uma referência profissional para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Hoje, é lá que
trabalha como Assistente Social.

A própria Marisa partilha:
“Quero partilhar convosco uma notícia que me enche o coração: consegui a
vaga para exercer como Assistente Social na Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa!
Esta conquista é muito especial para mim, mas também sinto que é vossa. A
Dress for Success® tem estado presente em vários momentos do meu caminho
— antes mesmo de eu entrar para a SCML, quando comecei como auxiliar, nas
fases de preparação para entrevistas e até durante o estágio, quando se
disponibilizaram a realizar workshops na Gira.
Cada palavra de apoio, cada incentivo e cada gesto de confiança que recebi de
vocês fizeram-me acreditar que era possível. A força que me transmitiram foi
essencial para eu não desistir e continuar a lutar pelo meu objetivo.
Agradeço de coração por caminharem comigo nesta jornada. Levo comigo o
vosso exemplo de empatia, partilha e motivação.”

A história da Marisa reflete a missão da Dress for Success® Lisboa: apoiar mulheres na
construção da sua autonomia económica e profissional, removendo barreiras que persistem
numa sociedade que ainda não é plenamente igualitária, e criando condições reais para que
cada mulher possa alcançar o seu potencial.

FROC

“A vida dos pais para, mas tudo o resto à volta continua. Há que gerir, tratar, resolver de forma a que nos consigamos centrar na criança e naquilo que nós, como pais, a nível do bem-estar, a nível do conforto, a nível da distração, de tudo aquilo que nós podemos fazer. […] Não estamos sozinhos, a Fundação faz muito esse papel: poder chegar a nós de uma forma clara, que o leigo consegue perceber e identificar-se com aquilo que lá está. Por isso, eu acho que é um trabalho exemplar.” Testemunho da Mãe de uma criança com cancro."

JAC

“Em 2017, 100 voluntários inexperientes, um mestre de obras novo em projetos comunitários e parceiros que nunca tinham visto a instituição atuar abraçaram o primeiro projeto no Porto: ajudar o sr. Francisco. Conhecido como “Padeiro” na ilha onde sempre viveu, tinha 54 anos, vivia sozinho e enfrentava dificuldades diárias. Sem emprego, apenas com o 4º ano de escolaridade e uma incapacidade auditiva de 70%, dependia de um rendimento mínimo de menos de 200€ mensais. A falta de condições na sua casa impedia-o até de viver com a namorada, o que o entristecia profundamente. Durante quatro meses, a sua casa foi transformada e, com ela, a sua vida. Chico, como passou a ser chamado, envolveu-se ativamente na obra, tornando-se parte da solução. No final, tinha uma casa segura, água quente e novas oportunidades. A sua confiança renasceu, encontrou trabalho e conseguiu viver com a namorada. A comunidade, que no início olhava com desconfiança, juntou-se à instituição numa grande festa. Três anos depois, Chico continua na sua casa, trabalha como padeiro e ajuda outras pessoas. A sua história simboliza o impacto de reabilitar casas: reconstruir vidas e inspirar mudanças duradouras.”

Make a Wish

“Embora tímida e inicialmente desconfiada do poder transformador de um desejo realizado, a Beatriz partilhou com as voluntárias que, apesar de não conhecer muitos locais pessoalmente e nunca ter ido à praia, era fascinada por animais marinhos. A condição de saúde da Beatriz condiciona a sua autonomia, pois tem dificuldade em deslocar-se e está dependente dos bombeiros para se poder movimentar, o que também impacta a dinâmica da família. Através de um jogo de palavras, percebeu-se que o grande desejo da Beatriz era ter uma bicicleta adaptada, construída de forma personalizada, de acordo com as suas necessidades. O dia do desejo foi uma surpresa vivida com muita emoção por toda a família: começou com um passeio Hippo Trip, seguido de um piquenique, onde foi desvendada a tão desejada bicicleta que ia mudar para sempre a sua vida e lhe daria mais autonomia e o poder de conhecer o mundo sob duas rodas! No fim do dia, a família foi ao oceanário e disfrutaram todos muito do universo marinho. Este dia em família, onde várias barreiras foram superadas, foi uma oportunidade para abrir horizontes e mostrou como um passeio fora das suas rotinas pode ser uma experiência tão simples, mas tão transformadora. Como partilhou a família, “nunca tínhamos tido um dia tão feliz.”

Médicos do mundo

Aos 71 anos, Isabel carrega uma vida inteira de desafios, mas também a força de quem
nunca desistiu. Hoje, encontra alento no apoio da Médicos do Mundo e na esperança
que sempre a guiou.

“Nasci numa família pobre. O meu pai morreu quando eu era miúda e a minha mãe
estava grávida.” Ainda jovem, emigrou para França, onde viveu um casamento marcado
pela violência. “Tive de vir embora. Vim sozinha com o meu filho, de comboio, com
ajuda de pessoas que nem conhecia.”

Em Portugal, tentou recomeçar, casando-se novamente. Mas a vida voltou a pô-la à
prova: perdeu uma perna num acidente grave e ficou em coma, numa altura em que
tinha filhos pequenos. A recuperação foi longa, mas Isabel não baixou os braços. Com o
apoio da família, conseguiu manter a casa e criar os filhos.
Mais tarde, assumiu novas responsabilidades: criou dois netos e garantiu-lhes um
futuro melhor. Hoje, já são adultos e seguem a sua vida.
Isabel vive com as marcas do passado, mas também com a dignidade de quem resistiu
a tudo.

“A minha vida foi dura. Mas não podemos pensar no pior." O apoio da Médicos
do Mundo tem sido essencial: acompanhamento psicológico, articulação com o Serviço
Nacional de Saúde e ligação ao serviço social. “Este apoio têm-me ajudado muito.” A
ansiedade, que a impedia de dormir, tem dado tréguas. “Antes via passar as horas… e
agora não.”

Histórias como a de Isabel lembram-nos porque é tão importante cuidar de quem
cuidou, sobretudo quando a vida foi dura demais.

Médicos sem fronteiras

"Quando a pequena Hamida chegou ao hospital em Kebbi, no noroeste da Nigéria, tinha quase dois anos e estava em estado crítico de desnutrição. O seu corpo estava frágil, o olhar apagado, estava tão enfraquecida que mal conseguia chorar.

A equipa da Médicos Sem Fronteiras avaliou-a e rapidamente começou o tratamento
nutricional. Nos primeiros dias, o silêncio da Hamida era difícil de suportar. Sabíamos que,
quando uma criança deixa de ter forças para chorar, está em perigo. Mas aos poucos,
começaram a surgir sinais de vida. O olhar que se acendia, o movimento das mãos, a energia que voltava. E, um dia, a Hamida chorou. Um som simples que para nós, estava cheio de significado.

Hoje, a Hamida está mais forte. E para nós, cada vez que uma criança recupera a força para
chorar, lembra-nos o poder do cuidado, da presença e da esperança."

Nariz Vermelho

“No contexto do hospital, e em particular da pediatria, o choro é característica de ocorrência natural na paisagem acústica. Nesse dia, os Doutores Palhaços andam pelo corredor e ouvem um choro intenso, vindo da sala de tratamentos. É o G., de 5 anos, agitado e num pranto. As enfermeiras querem tirar-lhe um dreno da bochecha e mudar-lhe o penso no braço. Os Doutores Palhaços espreitam à porta e, imediatamente, o menino reage, ainda choroso. Chamam pelo seu nome. O menino volta o olhar para o braço e, outra vez, ouve o seu nome. Aos poucos, o G. vai transferindo a atenção do braço para os palhaços e o choro desaparece. Ao ouvir o seu nome, foi como se uma linha fronteiriça se tivesse desenhado e outro lugar emocional se tivesse aberto, o do Encontro, a partir de onde o G. já podia sentir outras coisas. “Têm de vir aqui mais vezes!”, disse a enfermeira, impressionada. Quase metade das crianças da pediatria foi atendida e os Doutores Palhaços nem saíram do lugar!”

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Nariz Vermelho
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